Kilometragem ou horas de uso?

Atualmente existe uma “norma” ou quase isto com relação a quilometragem de cada carro ou motor quando se fala de troca de óleo.
Tal carro deve trocar o óleo do motor com 10.000km.!!!
Coloco toda minha experiência no mercado de reparação automotiva de quase trinta anos em discordar desta sistemática baseada em quilometragem rodada.
Vamos a alguns exemplos.
O Sr. José tem um Gol 2005, motor 1.6 e tem como roteiro básico com seu carro rodar 30% da quilometragem no trânsito urbano e os outros 70% em estrada. Analisando um dia de uso do seu caroo o motor funcionou aproximadamente 4 horas durante aquele roteiro.
O Sr. Antonio, com um carro semelhante, roda o inverso do Sr. José, ou seja 70% no uso urbano. Desta forma o motor de seu carro funciona, no anda e para do trânsito urbano, cerca de 8 horas.
Para ambos os casos no sistema de quilometragem a troca de óleo tem sido a mesma. Isto esta correto? Suponho que não.
Os veículos aéreos, os aviões, efetuam suas revisões e trocas de lubrificantes por horas de vôo. Fato semelhante ocorre com os grandes motores estacionários.
Da mesma forma os nossos veículos deveriam seguir esta regra básica.
Fato semelhante ocorre com determinados conjuntos de peças do carro.
Um filtro de ar tem sua vida útil na dependência exclusiva em relação aos locais onde o veículo roda. Se no trânsito urbano pesado, se em estradas asfaltadas ou se em estradas de terra. Tal fato ocorre também no sistema de embreagem.
Assim como os componentes da suspensão que se deterioram muito mais rapidamente quando o carro roda muito em ruas ou estradas esburacadas. Ou em locais de boa pavimentação quando eles têm uma vida útil muito maior.
O motorista cuidadoso deveria efetuar uma avaliação do uso de seu carro e seguir o conceito de “uso” e nunca de quilometragem. Desta forma ele terá um veículo com vida útil muito maior e estará economizando em benefício de seu bolso.

Serviços inúteis

Esta é uma cena é comum. Você leva seu carro a uma oficina e comumente ouve: 'É necessário efetuar a descarbonização do motor, pois a gasolina brasileira é muito ruim e danifica os componentes do motor'. 
Você, como a maioria dos proprietários e motoristas desconhecem o assunto e acredita naquela informação “técnica”, pensando nos benefícios para o carro e na sua economia futura. Ocorre que, se v. aceitar estes argumentos, estará jogando dinheiro fora. Estes serviços não são recomendados pelas montadoras a título de manutenção preventiva. Devem ser opções para corrigir um problema tecnicamente detectado, mas não para “evitar”. 
Com a modernização dos automóveis muitos mecânicos “criaram” serviços desnecessários para faturarem mais. Atualmente os carros tiveram uma evolução tecnológica muito grande e ficaram mais resistentes que os do passado. V. deve lembrar-se dos constantes problemas dos platinados, dos condensadores, das regulagens constantes, da troca de óleo a cada 3.000 km, etc., etc. Os motoristas mais novos desconhecem o condensador, o platinado e nem as bombas de combustível que constantemente estavam apresentando defeito. 
Os veículos atuais exigem muito menos manutenção. Entretanto é importante lembrar quando ela deve ser feita. Obrigatoriamente deve-se fugir do “mecânico da esquina”, pois seu carro necessita mão de obra qualificada e equipamentos eletrônicos de tecnologia sempre atualizada. Devido a isto as “oficinas de fundo de quintal” estão desaparecendo e dando lugar aquelas que se especializaram e investiram na mão de obra técnica e equipamentos modernos.
Consulte o manual do proprietário, veja quais os serviços recomendados pela montadora e utilize uma oficina em que v. confie e que disponha de equipamentos e mão de obra especializada para efetuar a manutenção preventiva necessária e correta ou reparo que seu veículo necessite.